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JORGE SMITH: Estou morando em Imperatriz há seis anos. Lá, eu tenho uma videolocadora, trabalho com vendas e também presto serviços para a prefeitura de João Lisboa, que fica perto de Imperatriz. Mas a minha intenção é voltar a morar em São Luís até o fim do ano.
Fazendo a Via Sacra, você às vezes é tratado pelo público como o próprio Jesus Cristo. E fora dos palcos, você é uma pessoa religiosa? Participa de alguma igreja, de algum movimento religioso?
Na verdade, antes da Via Sacra, eu já participava da Igreja Católica. Porém, logo após começar atuar no espetáculo, acabei me afastando da igreja por alguns motivos pessoais. Então, alguns anos depois, em 2005 voltei a frequentar a igreja. Hoje eu tenho compromissos dentro da igreja, sou um dos fundadores de um grupo de jovens da Renovação Carismática que trabalha com a oração, o grupo Kairós que tem um ano de atuação. Além disso, também trabalho com a Pastoral da Catequese, principalmente na época do São João, onde organizamos uma quadrilha que se apresenta na região e em dezembro com o auto de natal que montamos há três anos.
Fora a atuação na Via Sacra, você tem outros trabalhos com teatro?
Sim. Tenho uma companhia de teatro chamada Dezmandamentos, recém-criada lá em Imperatriz, que é fruto da minha atuação na Via Sacra. Foi com o aprendizado que tive e tenho com o pessoal do grupo Grita nesses 14 anos, que veio a vontade de montar uma companhia e trabalhar mais com o teatro. Hoje, estou querendo começar um trabalho com teatro de bonecos e a intenção de todo esse trabalho com a companhia é passar um pouco da experiência para os jovens de Imperatriz, levando, inclusive, pessoas do Grita para dar uma formação para eles.
Aqui em São Luís, especialmente no Anjo da Guarda, o povo te reconhece como o ator que interpreta o Cristo. E lá em Imperatriz, também há esse reconhecimento?
Em João Lisboa, onde estou mais presente atualmente, algumas pessoas mais próximas de mim sabem do meu trabalho aqui na Via Sacra, então sempre tem aquelas brincadeiras, tipo "olha Jesus chegou...". Mas só os mais próximos mesmo, os amigos. A população de Imperatriz não identifica assim como acontece aqui em São Luís. Lá o reconhecimento já é mais pelo trabalho que eu faço dentro da igreja com o grupo de oração. Lá eu sou o "Smith" mesmo, aqui é o "Jesus".
Você disse que desenvolve um trabalho com jovens na Igreja e no teatro. Esse ano a Via Sacra tem como tema a juventude. A temática, de alguma forma, fará com que você tenha uma expectativa ou uma emoção diferente?
Sempre há uma expectativa nova, a gente fica ansioso para apresentar. Não chega a ser uma emoção diferente, mas a temática ser o jovem é bem legal, é especial para mim sim.
Você é o protagonista da Via Sacra, um espetáculo que reúne mais de 300 mil expectadores por ano. Como você encara a abordagem do povo, que normalmente te trata como "estrela"?
Na verdade, eu não gosto muito disso. Prefiro mais ser o anônimo, é mais saudável. Com a abordagem a gente fica muito exposto, tem que se policiar o tempo todo. Mas já que a gente está a frente e tem que ser, de certa forma, exemplo, que o façamos. Mas de forma prudente, sem estrelismo, até porque não somos estrelas.
Você está há 14 anos na Via Sacra, destes, 13 como Jesus. Espera ficar mais quanto tempo nesse papel?
Olha, nunca criei expectativa em relação há quanto tempo ficarei interpretando Jesus. Se esse ano tiver que ser o último, o faremos. Se não for o Cristo nos outros anos, vou tentar contribuir de outra forma. Já adquiri uma bagagem muito grande, então tenho como ajudar, quem sabe em uma oficina, quem sabe em outro papel. Eu não sou o dono do papel do Cristo, não sou dono do espetáculo, o espetáculo é da comunidade, é do grupo Grita, que faz isso há 31 anos e muito bem. A gente é consciente que um dia não estaremos mais interpretando esse papel. Só espero que quando isso acontecer, não seja esquecido e sim reconhecido pelo que desempenhamos até hoje. Mas vou querer contribuir de alguma forma.


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