Máfia dos títulos transforma Cartório do Maiobão em camelódromo eleitoral
Do 4º Poder /
O Blog do Udes Filho
mostrou na edição do dia 13 de abril, a venda de lugar na fila para
atendimento no Cartório da 93ª Zona Eleitoral, localizado em Paço do
Lumiar, município da Região Metropolitana de São Luís. Quinze dias
depois, a equipe de reportagem voltou ao local, nesta quinta-feira (03),
e constatou que, mesmo depois da denúncia, o problema continua.
Em frente ao Fórum Desembargador João
Miranda Sobrinho, em Paço do Lumiar, estavam várias cadeiras, sinal de
que mais uma vez os ‘guarda-fila’ fizeram plantão. Conforme a reportagem
apurou, os vereadores que vão disputar a reeleição, tanto no município
de Raposa quanto em Paço do Lumiar, são os principais suspeitos de
alimentar o comércio ilegal na porta do Cartório Eleitoral.
A dúvida de quem aguarda na fila é como
os ‘guarda-fila’ conseguem senhas sem dificuldades no cartório Eleitoral
de Paço do Lumiar. O lugar na fila para atendimento de serviços como
transferência de título de eleitor, emissão de título e também
justificativa eleitoral, chega a custar R$ 10,00.
Pessoas relataram à equipe que chegaram
às 4h da manhã para conseguir um bom lugar na fila, mas em muitos casos,
a espera chega ser em vão. “Estou aqui desde 4h [de quinta-feira, 3],
tive de dormir aqui para poder agilizar, mas quando cheguei os lugares
já estavam marcados. Nem sei se vou conseguir atendimento para
regularizar minha situação junto à Justiça Eleitoral”, disse José
Raimundo da Silva Linhares.
Há suspeita de que funcionários do
Cartório da 93ª Zona Eleitoral recebam propina para facilitar a entrega
das senhas para “eleitores” de vereadores de mandato e candidatos ao
cargo de prefeito nos municípios de Raposa e Paço do Lumiar.
A denúncia é grave e abala a imagem da
Justiça Eleitoral, já que todas as negociações acontecem na porta do
Cartório Eleitoral, que mais parece um comercio informal (CAMELÓDROMO)
de transferência de títulos eleitorais para a compra de votos.
A chefe do Fórum Eleitoral de Paço do
Lumiar, Adriane Rocha Sauerbronn, reconheceu a prática ilegal, mas
afirmou que é impossível fiscalizar este tipo de comércio. Falou ainda
que, com a proximidade do encerramento do prazo para inscrição eleitoral
e transferência, a qualidade do atendimento acaba ficando comprometida.
“Nós estamos com um quadro reduzido para atender a demanda, além disso,
o sistema biométrico requer de mais tempo no atendimento, pois precisa
de foto, assinatura e impressão digital “, afirma Sauerbronn, chefe do
cartório.
O prazo para quem precisa tirar o título, transferir ou fazer a revisão eleitoral termina no dia 9 de maio.


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